Este espaço é destinado às construções em Biologia e Educação dos estudantes de Ciências Biológicas da UFSC

terça-feira, 10 de maio de 2011

ANÁLISE DE PROPAGANDAS DA COCA-COLA

INCENTIVO CONSUMISTA?




















A primeira fórmula do produto que hoje conhecemos como Coca-Cola, surgiu em 1884 por John Pemberton, posteriormente passando por diversas transformações, já que no princípio tratava-se de uma bebida que continha álcool. Em 1894, foi vendida pela primeira vez em garrafas de vidro e hoje é distribuída e consumida mundialmente. Naquela época, a Coca-Cola era vista como algo que deveria ser consumido. Havia várias propagandas que afirmavam que ela era tão saudável como a água pura, e como a empresa já tinha conquistado grande parte da população e seu prestígio ia aumentando, o incentivo ao consumo era cada vez maior. O que também levou ao consumismo como vemos hoje, é que as pessoas não se preocupavam se aquela bebida poderia fazer algum mal, pois não tinham acesso a informações, como por exemplo, as tecnologias para estudar por completo esse produto.
Nas imagens, podemos perceber que o refrigerante é visto como algo essencial. A primeira imagem é de uma propaganda da Coca-Cola de 1896, na qual se enfatiza um efeito no alivio da exaustão e a cura da dor de cabeça. Ela retrata uma mulher com expressões sérias e um copo dessa bebida, comparando-a com um remédio, o que atualmente pode ser pensado como um grande erro. Ao mesmo tempo, a coca-cola é um refrigerante cheio de cafeína, que entre outras coisas é um estimulante e vasoconstritor, podendo realmente aliviar o cansaço, como diz na propaganda. Atualmente, alguns remédios para dor de cabeça usam a cafeína combinado a um analgésico, pois ela ajuda a melhorar a circulação, aliviando dores de cabeça associadas a processos inflamatórios. Por ser uma das primeiras imagens coloridas da época, o anúncio apresenta cores fortes e chamativas, com contraste, a fim de atrair a atenção do público.
A segunda imagem traz uma vaca caracterizada como a “produtora” da Coca-Cola, como se essa vaca produzisse este “leite”. Uma das construções atuais de nossa cultura seria a de que o leite de vaca é algo quase indispensável na nossa alimentação, algo fundamental em nosso dia-a-dia. Por tautologia, assim também seria a coca-cola, exibida na imagem.
Apesar das duas propagandas mostrarem somente os benefícios da Coca-Cola, tais como citados anteriormente, silenciam que o refrigerante pode prejudicar a saúde e o que o consumo excessivo pode causar ao longo prazo, como por exemplo, a perda de cálcio e fósforo por conter ácido fosfórico. Apresenta também riscos para quem é portador de doenças crônicas como diabetes e hipertensão (pela enorme quantidade de açúcar e cafeina presentes na fórmula). 
Hoje, a Coca-Cola é vendida em mais de 200 países e a cada ano conquista um número maior de consumidores. Seus slogans sempre mostraram que ao beber esse produto a vida ficaria mais feliz, como por exemplo, “Sempre Coca-cola”, “Viva o lado Coca-Cola da vida” e “Gostoso é viver”. Já se tornaram rotineiras as propagandas em copas mundiais e comerciais de Natal. Na televisão, revistas e jornais anunciam o produto mostrando pessoas em momentos alegres e saltitantes; brinquedos, copos e outros objetos de coleção espalham pelo mundo a marca do refrigerante. De modo geral, podemos perceber que as duas imagens pretendem induzir a população ao consumo contínuo desse produto, como se trouxesse somente benefícios para a saúde funcionando como um remédio e resolvesse os problemas corporais.

Autoras: Débora Brand, Francielle Ferreira, Isabel Brandalise e Josiane Wolff

ANÁLISE DE IMAGENS REFERENTES A ESTÉTICA E BELEZA

A DITADURA DO CONSUMO DA IMAGEM EM DETRIMENTO À SAÚDE E À CULTURA



















Valesca Popozuda (foto de cima). Adriana Lima, Candice Swanepoel e Alessandra Ambrósio (foto de baixo).


Até que ponto seremos manipulados por conceitos de beleza pré-estabelecidos?
Podemos observar meninas muitas vezes magras por natureza, trabalhando como modelos. Até então, nenhum problema, não fosse pelo fato de algumas, nem tão magras assim, porém inicialmente saudáveis, sujeitarem-se a deixar de comer, tornando-se até mesmo doentes para alcançarem padrões de medidas impossíveis. Isso se torna mais absurdo ainda se considerarmos o Brasil e outros países em desenvolvimento, nos quais, enquanto muitos morrem de fome, outros optam por não comer, simplesmente para “fazer parte” de um modelo estético. Muitos destes padrões são supostamente impostos para a vida profissional de algumas mulheres, mas acabam ditando o padrão a ser seguido por todas as mulheres.
Por outro lado, temos as chamadas “popozudas”, mulheres que colocam implantes de silicone em diversas partes do corpo, tornando-se criaturas até mesmo grotescas, para chamarem a atenção, enquadrando-se em um outro tipo de padrão. Há que se considerar o fato de que esse padrão no Brasil pode ser visto como um estímulo às mulheres brasileiras para aceitarem suas curvas, seus corpos, uma forma de resistência aos padrões europeu e estadunidense, importados para cá e influenciadores de vontades e desejos de "se ter corpos assim". Mas ele também pode se tornar um problema, quando começam os exageros: valorizar as curvas já não é mais suficiente. É necessário aumentá-las e torná-las gigantescas, sobre-humanas.
Se levarmos em consideração a onda fútil que assola o mundo de hoje e, um pouquinho de cada cultura que formou a nossa, mutilar ou transformar o corpo é algo culturalmente construído. Sempre aconteceu de uma forma ou de outra. E não haveria de fato um grande problema nisso. O que ressaltamos é quando isso se torna doentio, onde nada parece ser bonito ou aceito antes da passagem de um bisturi.
Não estamos criticando o estilo de ser de cada um, apenas observando como os valores, a nosso ver, estão deturpados. Será mesmo preferível consumir padrões de beleza como se vivêssemos em eternas vitrines? Não seria melhor, ao invés disso, consumirmos cultura? Podermos nos destacar pelo ser, pela intelectualidade, por algo realmente permanente? Infelizmente o que permeia a generalidade da sociedade atual é o consumo em seus diversos aspectos.

Amanda Formehl & Cláudia de Souza Aguiar

ANÁLISE DE UMA IMAGEM DE UMA PROPAGANDA PUBLICITÁRIA SOBRE HOMOSSEXUALIDADE

Humanitarismo ou Apenas Mais um Golpe de Marketing?



"A orientação sexual não é uma escolha."


Ao nos depararmos com textos, folders e imagens que lidam com o tema homossexualidade, nos vemos diante de clichês e ideias batidas sobre o assunto. Com a Grife NO-LI-TA não foi diferente. Contudo ao trazer em sua campanha o tema “A Orientação Sexual não é uma Escolha”, seu grande diferencial foi a forma de abordagem.
Utilizando a mídia fotográfica para passar, de maneira surpreendente, a mensagem sobre o tema, a Grife expõe um bebê recém nascido – símbolo de pureza, fragilidade e inocência -, com uma pulseira de identificação utilizada em maternidades para que não se percam ou se troquem os bebês. Essas pulseiras trazem os nomes dos recém-nascidos que são escolhas dos pais. Contudo na propaganda, ao invés do nome do bebê tem-se escrito “Homossexual”, o que leva a pensar que a homossexualidade é uma escolha, uma escolha de alguém e não necessariamente do bebê, o qual nem pode se pronunciar sobre o assunto. Mostrar às mães e aos pais a possibilidade desses terem filhos homossexuais é outro impacto que a utilização dessa pulseirinha pode causar.
Uma visão mais histórica encontra-se apagada neste texto de publicidade. Atualmente em nossa sociedade, uma referência mais comum de "normalidade" seria o indivíduo heterossexual e, por isso, ninguém se pergunta o motivo de ser hétero. Contudo numa outra sociedade, como na Grécia Antiga, ser homossexual fazia parte do contexto de normalidade. A ideia de orientação sexual não era concebida como identificador social entre os antigos gregos, e o comportamento homossexual ocorria normalmente entre indivíduos do sexo masculino, pouco se sabe sobre a homossexualidade entre as mulheres – até porque essas não eram vistas como cidadãs. Além do gênero dos indivíduos, é importante lembrar que essas relações aconteciam entre um moço jovem e um homem mais velho que assumia o papel de ativo, o que nos leva a pensar que na Grécia Antiga, o que chamamos de pedofilia, atualmente, também era comum. E nessa sociedade, não se pensava se a homossexualidade era escolha ou não, pois não havia motivos para isso - era "normal".
Junto a isso, a propaganda foi lançada na Toscana, Itália, em frente a uma população predominantemente Católica. “Sede Fecundos (Crescei), Mutiplicai-vos” (Bíblia, Gênesis, Capítulo 1, Versículo 22).  O Catolicismo e outros Grupos Religiosos condenam que o ato sexual ocorra sem o sentido de procriação. Segundo estas orientações não se deve fazer sexo por prazer, para satisfazer as nossas “tentações mundanas”. Pensando dessa forma, o sexo só pode acontecer entre indivíduos de sexos diferentes, pois indivíduos de mesmo sexo não poderiam procriar entre si (ainda!). Conclusão: a homossexualidade é, segundo estes preceitos que regram a vida de vasta população mundial, condenável e não se encaixa nos padrões de normalidade citados anteriormente. Nesse sentido, a propaganda trabalha para mostrar aos religiosos e demais que não deveria existir um padrão de normalidade quando à sexualidade.
A Grife quis se apresentar a favor da causa daqueles que defendem a homossexualidade como algo natural ou genético e de mostrar à população que a convivência com homossexuais deve ocorrer de forma igualitária. Porém serão esses os únicos objetivos? Segundo Everardo Rocha (2005), anúncios são vendidos indistintamente, assim um dos objetivos de uma empresa, quando vende um produto, é vender a imagem da empresa. E inflamar discussões que vão de encontro a um tema conservador é uma excelente forma de voltar os olhos à Grife NO-LI-TA.

Fontes:
Site Wikipédia – Artigo “Homossexualidade na Grécia Antiga”: http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_na_Gr%C3%A9cia_Antiga (Acesso em 27 de junho de 2011)
Site “Italia Oggi” – http://www.italiaoggi.com.br/not10_1207/ital_not20071028c.htm (Acesso em abril de 2011)
ROCHA, Everardo. Animais e Pessoas: as categorias de natureza e cultura nos anúncios publicitários. Alceu: Revista do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, Rio de Janeiro, v.6, n.11, p.19-40, jul./dez., 2005. Semestral.
BÍBLIA Sagrada: Tradução da CNBB. 6. ed. Brasília: CNBB, --. 1563 p.


João Francisco Souza
Maria Paula de Azambuja de Ávila
Vitor de Amorin Gomes Rocho